Alga Lithothamnium: Aliada Estratégica no Combate ao Greening em Citros

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A citricultura global enfrenta um desafio persistente com o greening (HLB), uma enfermidade que impacta severamente a produção. No entanto, uma solução inovadora tem emergido no horizonte: a aplicação de Lithothamnium. Esta alga marinha calcificada tem demonstrado resultados notáveis no fortalecimento das plantas cítricas, aumentando sua resistência à doença e ao psilídeo, o inseto responsável pela sua transmissão. A utilização estratégica do Lithothamnium oferece uma abordagem multifacetada, não apenas mitigando os efeitos do greening, mas também promovendo um desenvolvimento mais vigoroso das plantas e aprimorando a qualidade da colheita.

A pesquisa e os testes de campo confirmam o potencial do Lithothamnium em prolongar a vida produtiva dos pomares e elevar a qualidade dos frutos. Sua composição única, rica em cálcio orgânico e um complexo de aminoácidos, atua de forma sinérgica para restaurar a fisiologia das plantas afetadas, desobstruindo os vasos condutores de seiva e otimizando a absorção de nutrientes. Este manejo inteligente, focado na nutrição e no fortalecimento da imunidade vegetal, representa um passo fundamental para a sustentabilidade da citricultura, permitindo aos produtores conviver com o greening de maneira mais eficaz.

Lithothamnium: Fortalecendo a Citricultura Contra o Greening

O greening, ou Huanglongbing (HLB), representa uma das maiores ameaças à citricultura mundial, com uma incidência preocupante em importantes cinturões cítricos como o de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Esta doença pode causar perdas substanciais na produção e, em casos extremos, levar à morte das plantas. Diante deste cenário desafiador, a alga marinha calcificada Lithothamnium tem se destacado como uma solução natural e eficaz. Esta alga, abundante no litoral brasileiro e em outras regiões, é reconhecida por sua rica composição em minerais, aminoácidos e compostos bioativos, sendo empregada na agricultura desde a antiguidade como um fertilizante renovável. Sua aplicação tem demonstrado capacidade de fortalecer as plantas de citros, tornando-as mais resilientes à infestação pelo psilídeo e aos danos causados pela doença.

A eficácia do Lithothamnium no combate ao greening reside em sua habilidade de desobstruir os vasos de xilema e floema das plantas, permitindo que elas recuperem seu vigor e mantenham uma fisiologia ativa, mesmo quando infectadas. Esta ação é atribuída ao complexo de 16 aminoácidos presentes na alga. Observa-se que, em apenas 15 a 20 dias após a aplicação, as plantas tratadas apresentam folhas novas mais rígidas e resistentes à picada do psilídeo, o vetor da doença. Além disso, o Lithothamnium contribui para uma retomada intensa da vegetação, floradas mais homogêneas e um aumento significativo na produtividade, podendo chegar a 30%. A redução da queda de frutos, o aumento de seu tamanho e a melhora na espessura da casca e no volume de suco são outros benefícios notáveis, impulsionados pelo alto teor de cálcio orgânico assimilável presente na alga. Este cálcio, em contraste com o cálcio inorgânico, é rapidamente absorvido pelas plantas, depositando-se intensamente nos frutos e oferecendo proteção natural contra queimaduras solares, o que pode até mesmo dispensar o uso de protetores solares agrícolas. Ao melhorar a saúde geral da planta e criar um ambiente mais alcalino, a alga inibe o avanço das doenças, corroborando o princípio de que um ambiente alcalino é desfavorável ao desenvolvimento de enfermidades.

Impacto do Cálcio Orgânico e Manejo Integrado

O cálcio orgânico, presente em abundância no Lithothamnium, é um dos principais fatores que conferem à alga sua eficácia no controle do greening. Com cerca de 32% de cálcio orgânico, esta forma é altamente assimilável pelas plantas devido à sua ligação com aminoácidos. Diferentemente das fontes inorgânicas de cálcio, como o calcário, o Lithothamnium se solubiliza rapidamente no solo e é prontamente absorvido, exigindo apenas uma pequena quantidade de água. Este rápido fornecimento de cálcio fortalece as folhas novas e as mudas, criando uma barreira natural contra o psilídeo, o inseto vetor da doença. A presença de cálcio também contribui para o aumento da qualidade dos frutos, tornando-os maiores, com cascas mais espessas e maior volume de suco, além de elevar o teor de Brix. A capacidade da alga de corrigir o solo, otimizar o transporte de seiva e atuar como bioestimulante microbiológico, estimulando a biologia do solo e a absorção de nutrientes, são aspectos cruciais que ressaltam seu valor no manejo do greening.

Apesar de não haver uma cura definitiva para o greening, o uso contínuo do Lithothamnium se estabelece como uma estratégia essencial para prolongar a vida produtiva dos pomares e mitigar os impactos da doença. No entanto, é fundamental que o uso do Lithothamnium seja integrado a um programa fitossanitário abrangente. Este programa deve incluir o controle rigoroso do psilídeo, a erradicação de plantas doentes e a utilização de mudas sadias para garantir a máxima eficácia. É importante salientar que a qualidade e a origem do Lithothamnium, bem como seu processo de obtenção, influenciam diretamente os resultados. A citricultura moderna não pode mais ignorar o potencial desta alga para conviver com o greening, impulsionar a produtividade e aprimorar o rendimento industrial do suco. O greening persiste como um desafio, mas um manejo inteligente, que prioriza a nutrição das plantas e o uso estratégico de recursos como o Lithothamnium, oferece um caminho promissor para a sustentabilidade e a resiliência dos pomares cítricos.

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