No coração da capital francesa, a nona edição da Viva Technology reúne mais de 13 mil startups de todo o mundo, incluindo um seleto grupo de empreendedores e cientistas brasileiros. Com o apoio da USP e da FAPESP, São Paulo coloca-se à frente como um dos principais polos de inovação global. Este evento único não apenas demonstra avanços tecnológicos nas áreas de agricultura, saúde, inteligência artificial e materiais, mas também reflete o compromisso do Brasil com a pesquisa científica internacional.
Um Estande Brasileiro na Cidade das Luzes
Durante quatro dias, até o próximo sábado, Paris se transforma no epicentro mundial da tecnologia e empreendedorismo. No Paris Expo Porte de Versailles, estimados 170 mil visitantes têm a oportunidade de explorar soluções inovadoras vindas de todos os continentes. Entre elas, destacam-se 19 startups apoiadas pela Universidade de São Paulo e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Neste contexto, o ecossistema de deep techs brasileiras ganha notoriedade ao apresentar projetos em setores fundamentais para o desenvolvimento nacional. Em uma entrevista exclusiva, Vahan Agopyan, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo, enfatizou a importância da visibilidade internacional para consolidar a pesquisa paulista. Ele explicou que “a internacionalização permite que nossos pesquisadores adquiram novas referências e aumentem sua competitividade no cenário global.”
Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da FAPESP, destacou a relevância do financiamento estratégico oferecido pela fundação, que possibilita aos cientistas brasileiros participarem deste grande encontro de ideias. Durante sua apresentação, ele mencionou números impressionantes: “Se São Paulo fosse um país, lideraria a produção científica na América Latina.” Além disso, ressaltou que o estado conta com mais de 10 mil empresas focadas em inovação.
O estande da USP trouxe exemplos concretos de inovação em várias áreas, desde vacinas terapêuticas contra HPV até dispositivos capazes de diagnosticar infartos rapidamente. Carlos Gilberto Carlotti Junior, reitor da universidade, sublinhou a necessidade de aproximar ainda mais as atividades acadêmicas das demandas sociais. Para ele, eventos como a VivaTech são vitais para promover parcerias internacionais e atrair investidores globais.
Entre os destaques, Fabio Cozman, diretor do Center for Artificial Intelligence (C4AI), comentou sobre o potencial da inteligência artificial no Brasil. “Estamos em um momento crucial onde podemos dar grandes saltos tecnológicos e alcançar reconhecimento internacional,” afirmou. Vanderlei Bagnato, coordenador do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, apresentou uma solução fotônica revolucionária para tratar infecções bacterianas resistentes, especialmente pneumonia.
Perspectivas de Futuro
A participação brasileira na Viva Technology é muito mais do que uma simples exposição de produtos e serviços. Representa uma janela aberta para colaborações internacionais e uma oportunidade única de colocar a ciência brasileira no mapa global. O evento destaca não apenas o que já foi conquistado, mas também o que ainda pode ser realizado com maior integração entre academia, indústria e governo.
Como jornalista, fico impressionado com a capacidade do Brasil de unir esforços institucionais e criar um ambiente propício para a inovação. A iniciativa da FAPESP Week França é um exemplo claro de como alavancar parcerias internacionais e amplificar o impacto das pesquisas locais. Este tipo de evento inspira outros países a olhar para o Brasil não apenas como consumidor de tecnologia, mas como produtor de soluções inovadoras que podem mudar o mundo.